Após um ano e meio assolados pelo coronavírus, com a marca de 500 mil brasileiros mortos, atrelado ao avanço de vetores de subjetivação neoliberais, cabe à psicologia brasileira de nosso tempo pensar: que pode a formação em psicologia? Como desviar da armadilha de fazer da nossa área uma espécie de “fábrica de interiores”? Este trabalho provém de uma pesquisa da UFF, que investiga os quatro últimos cursos de Michel Foucault, nos quais ele tece tonalidades das modulações do conceito de verdade. A partir disso, vamos seguir a intuição do professor francês, de que o ponto vital da resistência política se faz na relação de si para consigo. O que ele chamou de “saber espiritual” é encontrado na forma do conhecimento que nos transforma, nos modula, e vê nisso uma possibilidade de enfrentamento aos vetores de dominação: luta por outros modos de vida. Foucault define e defende o conceito de espiritualidade política não como a afirmação de um governo religioso, mas apostando na ascese como abertura de possibilidade para o surgimento de subjetividades outras. Distanciando-se da antinomia “ética de si” e política, é viabilizado um modo insurgente de mudanças micropolíticas. Dessa forma, a espiritualidade política é dotada de potência para o desvio. A partir dessa ética, nosso trabalho propõe o pensar nessa noção foucaultiana como um enfrentamento aos afetos tristes advindos do individualismo, na direção coletiva de uma psicologia interessada na (trans)formação de si, do país e do mundo.
Autores:
LUCAS FELIPPE ARAÚJO DE FIGUEIREDO
CAMILLE MARTINS MASCARENHAS DE OLIVEIRA
CAROLINE GASPAR CHAGNON
MARIO SANTOS MOREL
MIGUEL GERMANO DE ALMEIDA FERREIRA
PRISCILLA COSTA DOS SANTOS
Fonte financiadora do trabalho:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ),
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ),
Pró-Reitoria para Assuntos Estudantis (PROAES).
Link do Material:
https://www.crprj.org.br/uploads/revista/275/Ndk5dD0ENHh49OuIumUjdS3HPF8b5Mlm.pdf
